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Video: Derechos humanos de personas intersex – Entrevista a Morgan Carpenter en la Universidad de Buenos Aires

Derechos humanos de personas intersex – Entrevista a Morgan Carpenter en la Universidad de Buenos Aires

**Nota Importante: Durante la entrevista se menciona la Circular 18 emitida por el Ministerio de Salud de Chile, pero actualmente esta situación ha cambiado. El 23 de agosto de 2016, el Ministerio de Salud de Chile emitió la Circular 7 de 2016, la cual dejó sin efecto a la Circular 18 de 2015. Lamentablemente, esta nueva Circular, entre otras cosas, vuelve a justificar las intervenciones médicas en los cuerpos de bebés y niñxs intersexuales. Para más información sobre esto puedes leer este artículo: CIRCULAR 7 DE 2016: UN PASO ATRÁS EN LA LUCHA POR LOS DERECHOS HUMANOS DE LAS PERSONAS INTERSEXUALES EN CHILE.

 

Comunicado sobre la resolución final en torno a la Sección xii del Proyecto de Resolución Promoción y Protección de Derechos Humanos de la XLVII Asamblea General de la OEA

Vivir y Ser Intersexual

22 de junio de 2017.

A la opinión pública:

Durante la XLVII Asamblea General de la OEA, llevada a cabo entre el 19 y el 21 de junio de 2017 en Cancún, Quintana Roo, México, la discusión del Proyecto de Resolución en cuestión fue escenario de un debate originado por la propuesta de redacción que contemplaba incluir el término “características intersex”. Dicho término fue rechazado ante la falta de un consenso mayoritario, teniendo por argumentos principales el que dicho término no existía en las legislaciones locales de los países que se opusieron, y que no emanaba de ningún tratado ni acuerdo internacional, por lo cual la propuesta fue calificada de unilateral.

Las personas y organizaciones que firmamos este comunicado, bajo el entendimiento de que al referirnos a “personas intersex” o “personas intersexuales” no aludimos a una identidad, sino a personas con variaciones congénitas en las características sexuales, consideramos que:

  1. Al…

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Carta aos pais de crianças com Hiperplasia Adrenal Congênita e genitália ambígua. Por Laura Inter

Carta aos pais de crianças com Hiperplasia Adrenal Congênita e genitália ambígua.

Por Laura Inter

Tradução para português: Ernesto Denardi

EN ESPAÑOL

IN ENGLISH

madre-hija

É comum que os médicos digam aos pais e mães de crianças com Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) e cromossomos XX que suas filhas nasceram com uma “malformação genital”, que nasceram com genitália ambígua que devem ser corrigidas ou que sofreram infecções, dor ou outros problemas relacionados com o fluxo menstrual, também dizem que por ter um corpo diferente sofrerão rejeição na escola e outros problemas sociais.

Eu tenho um corpo como esse que descrevem os médicos, e a primeira coisa que eu diria é que genitália ambígua não é uma malformação. Suas filhas simplesmente nasceram com traços intersexuais, são mulheres com corpos diferentes que variam do comum, mas elas NÃO são, nós NÃO somos mulheres deformadas.

Não é uma malformação porque as formas genitais dependem da testosterona durante a gestação, todos os fetos sejam XX ou XY, em algum momento durante a gravidez têm as mesmas formas genitais. Quando um feto é exposto a “baixos” níveis de testosterona, permanece com formas genitais tipicamente femininas; no entanto, se o feto é exposto a “altos” níveis de testosterona seus órgãos genitais terão – por assim dizer – aparência masculina. Quando encontrados em um estado intermediário neste processo, os médicos dizem que os bebês nascem com genitália ambígua. Como podem ver nada foi mal formado, não é um defeito, porque é parte de um processo natural que depende dos níveis de testosterona, apenas isso.

Agora, não se sabe se TODAS as pessoas que nascem com genitália ambígua vão ter – em algum momento de suas vidas – problemas de saúde relacionados aos seus órgãos genitais; o que posso assegurar é que no México e na América Latina, conheço muitas pessoas com genitália ambígua não submetidas a cirurgia, que são adultos e são saudáveis, que não tiveram problemas de saúde relacionados aos seus órgãos genitais, nem dor, nem problemas com o fluxo menstrual ou infecções. Entre essas pessoas estou eu.

Claro, eu não posso garantir que todas as pessoas que nascem com genitália ambígua terão genitais saudáveis durante toda a vida, como também não posso garantir que pessoas com genitais tipicamente femininos ou masculinos também terão genitais saudáveis ao longo da vida. Nem os médicos podem garantir que todas as pessoas submetidas à cirurgia terão genitais saudáveis, na verdade, a evidência tende a apontar para o contrário; conheço muitas pessoas que foram submetidos a cirurgias genitais, particularmente clitoridectomias e vaginoplastias, que tem muitos problemas de saúde por causa disso. É difícil concluir qualquer coisa definitiva porque, infelizmente, não há estudos de acompanhamento em adultos nascidos com genitália ambígua, por isso, os médicos não podem garantir o resultado que terá a intervenção a longo prazo.

Eu não considero apropriado que se intervenha no corpo saudável de um bebê. Obviamente, se ocorrerem problemas nos órgãos genitais, sejam tipicamente femininos, tipicamente masculinos ou ambíguos, então a intervenção médica é recomenda para restaurar a saúde, mas não é coerente intervir apenas para modificar a aparência da genitália que é completamente saudável.

As cirurgias podem não só causar danos psicológicos, elas também têm repercussões físicas. A redução do clitóris pode deixar sua filha insensível ou reduzir significativamente a sua sensibilidade. Vaginoplastia não é nada, é um processo maior no corpo de uma pequena menina; além disso, após a vaginoplastia ela terá que realizar dilatações, isso significa que eles terão de introduzir dilatadores no orifício que criaram, irá introduzir o médico, uma enfermeira ou pode ser até que proponham que você faça. Conheci pessoas que tiveram danos psicológicos similares à de uma violação, por conta disso.

Ao contrário dos médicos que tratam sua filha, para mim sua filha tem um corpo perfeito. Se o problema é a rejeição social, não é mais sensato gerar ações para tornar a sociedade mais tolerante ao invés de irreversivelmente modificar o corpo minúsculo da sua filha? Além disso, você pode educar sua filha a aceitar seu corpo como ele é, nem toda a sociedade vai criticar seu funcionamento físico com um cirurgião. Se ela quiser ser operada, que ela decida quando crescer, informando-se primeiro e avaliando as possíveis consequências. Em grupos de apoio para famílias e indivíduos com HAC, infelizmente, eu descobri que muitos pais querem realizar cirurgias às suas filhas para evitar críticas de parentes ou até mesmo por funcionários da creche, mas tenha em mente que as pessoas sempre criticam tudo e você não pode agradar a todos, muito menos através de cirurgiões e um bebê que está em seus cuidados. A cirurgia não vai resolver nenhum problema, nem fará da sua filha “normal”, simplesmente porque sua filha não tem nada de anormal, é perfeita como é, bonita, ame-a como ela é, e ensine-a a aceitar-se e amar-se como ela é, porque não há nada de errado com seu corpo. Estas cirurgias não são medicamente necessárias, são “cosméticas” e assim eu coloco entre aspas porque o corpo de sua filha é estético como é, é lindo, não está faltando nem sobrando nada.

Além disso, você não sabe a identidade de gênero que ela terá quando crescer, e isso é algo que não se pode conhecer antecipadamente em qualquer ser humano. Sua filha pode sentir como uma mulher, mas eu também conheço pessoas com cromossomos XX HAC que se sentem meninos (cerca de 20 ou 30 por cento, como já observado), operadas ou não. Também não se pode antecipar a orientação sexual que terá, pode ser homossexual, bissexual ou heterossexual. Eu também constatei relatos de muitos pais que realizam esses procedimentos em suas filhas para serem capaz de obter um marido no futuro, para poupar a rejeição de seus parceiros em potencial, mas, independentemente da preferência sexual que terá a sua filha, a pessoa com quem esteja, deve querê-la como ela é, e se não, por que você quer uma pessoa preconceituosa e machista ao seu lado? Por que você quer alguém que a amará somente se você modificar seu corpo através de uma cirurgia? A cirurgia é irreversível e somente à sua filha pertence a decisão de mudar seu corpo como quiser, com pleno conhecimento das consequências que podem ter esses procedimentos.

Sei, a partir dos testemunhos que eu ouvi de algumas pessoas com HAC, que as cirurgias podem causar diversas consequências negativas como: problemas com ao urinar, insensibilidade, cicatrizes, dor durante o sexo (relação sexual), problemas com o fluxo menstrual, algumas pessoas sofrem traumas psicológicos devido a comentários frequentes sobre sua genitália (às vezes eles chamam vários médicos para ver o pequeno corpo nu de sua filha, e isso é algo que geralmente acontece durante muitos anos), e podem sofrer outros traumas devido as dilatações vaginais que realizaram os médicos, enfermeiros ou você. Além dos riscos óbvios que toda pessoa enfrenta quando exposta a anestesia e cirurgia em geral.

Sempre a coisa sensata é ensinar sua filha a amar-se como ela é e esperar que ela tome decisões que considere adequadas para o seu próprio corpo, porque é o corpo DELA, NÃO é SEU ou dos médicos, e enquanto sua saúde não está em risco, você não tem que mudar nada irreversivelmente.

Eu tenho um corpo como o da sua filha, com genitália ambígua (clitóris maior do que os médicos arbitrariamente consideram “normal” e conduto urogenital – vagina e a uretra desembocam para o mesmo conduto), apesar do que dizem os médicos, não tenho quaisquer problemas de saúde relacionados com os meus genitais, não tenho dor, nem infecções recorrentes ou problemas relacionados com o fluxo menstrual, e desfruto da sexualidade sem problemas, lembrando que nem tudo na sexualidade é penetração e se pode desfrutar de muitas maneiras. Também não tenho problemas sociais por ter órgãos genitais diferentes, porque, felizmente, não vivemos nus. Tenho 33 anos e estou feliz com quem eu sou e com o corpo que tenho. Se tive problemas em algum momento foi pelo tratamento humilhante que me deram os médicos, sua linguagem degradante ao se referir ao meu corpo e a ignorância dos meus pais.

Lembre-se que uma coisa é o tratamento para HAC, e outra coisa é que sua filha tenha genitais diferentes. O tratamento para HAC é importante, é importante tomar os seus medicamentos se você precisa para ser saudável, mas diferentes órgãos genitais, na grande maioria dos casos não envolvem problemas de saúde.

De um modo geral HAC ocorre quando as glândulas supra-renais produzem menos cortisol do que necessidades o corpo, e é por isso que os médicos prescrevem cortisol (a forma de cortisol que me receitaram foi Meticorten), a dose varia de pessoa para pessoa, alguns precisam de doses pequenas, alguns mais, alguns só tomam durante uma parte de suas vidas, outros durante a vida toda, e eu conheci algumas pessoas com HAC que nunca tomaram cortisol na vida e são saudáveis, por isso depende da pessoa e o tipo de HAC que ela tem (perdedora de sal ou não perdedora de sal, e mesmo dentro destes dois tipos, a influência que poderá ter sobre a saúde varia de pessoa para pessoa). É importante mencionar que você tem que ter cuidado com as doses de cortisol administradas, já que se sabe que muitas vezes o médico prescreve uma dose alta de cortisol para a pessoa, o que pode causar a síndrome de Cushing (que é quando o corpo é exposto a mais cortisol do que o necessário). O médico sempre tem que começar com a menor dose de cortisol, e se não for suficiente, aumentar gradualmente a dose, para evitar a síndrome de suas filhas. A síndrome de Cushing não é típico da HAC e, geralmente, dada a gestão médica errada ou má gestão de doses de cortisol.

Em conclusão, eu quero dizer que as meninas com HAC não precisam de cirurgia, elas precisam de pais amorosos precisam de apoio e informação, precisam de pais que não tenha vergonha de seus corpos e as amem e as ensinem a se amar como são. Precisam conhecer e se reunirem com pessoas que têm corpos semelhantes, com pessoas que passam pela mesma coisa.

Se você quiser ajuda psicológica posso apoiá-la, eu posso ouvir você, eu posso entrar em contato com pessoas e profissionais reais que podem te ajudar, que tratarão sua filha com respeito e que não terão que estar examinando e tocando. Antes de tomar uma decisão tão importante, aproveite a oportunidade de entrar em contato conosco, a porta permanece aberta, para você e para todos os pais que estão dispostos a oferecer a suas filhas uma oportunidade de se amarem como são.

Quem assim o desejar, pode contatar-me via e-mail: intersexualmexico@gmail.com

Lembre-se que você não está sozinha. E sua filha também não estará.

* Para os fins desta carta eu usei a palavra “meninas” para se referir a pessoas com HAC e cromossomos XX, isso simplesmente para facilitar a leitura para os pais, mas ciente do fato de que nem todas essas pessoas se identificam com o gênero feminino.

Activista intersexual insta a prohibir la “mutilación genital” en niñxs. Por Emma Batha (participa Daniela Truffer, activista intersexual)

Activista intersexual insta a prohibir la “mutilación genital” en niñxs

Por Emma Batha (participa Daniela Truffer, activista intersexual)

Traducción: Laura Inter del artículo “Intersex activist urges ban on “genital mutilation” on children” por Emma Batha

Fuente: http://www.reuters.com/article/rights-intersex-mutilation-idUSL5N1FK6LZ

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ROMA, 31 de enero (Fundación Thomson Reuter) – Cuando Daniela Truffer nació, nadie podía decir de qué sexo era, así que los doctores eligieron por ella – esa decisión le ha causado décadas de sufrimiento y angustia, llevándola al borde del suicidio.

Actualmente, Truffer está pidiendo que se prohíba la cirugía genital, y otros tratamientos dañinos, en los bebés y niñxs intersexuales.

“A los dos meses de edad me castraron y tiraron mis testículos a la basura, sin avisar a mis padres”, dijo Truffer, que nació con testículos internos.

“Fui mutilada. He pasado mi vida con miedo, dolor y vergüenza. Me hubiera gustado decidir por mí misma”.

Las personas intersexuales, o [mal llamadas] hermafroditas, pueden nacer con genitales ambiguos.

Truffer, dijo que los doctores generalmente realizan cirugía durante los primeros dos años de vida, ya sea para “masculinizar” o para “feminizar” a los bebés intersexuales, con la creencia de que esto hará sus vidas más fáciles y aliviará la angustia de los padres.

“Estas cirugías son médicamente innecesarias, irreversibles y no-consensuales”, dijo Truffer, cofundadora del grupo de presión internacional StopIGM.org – el cual está en contra de la mutilación genital intersexual.

“No negamos que existen problemas psicosociales, pero estos deben ser tratados con herramientas psicosociales, no con cirugía”, dijo a la Fundación Thomson Reuters.

Intersexualidad, es un término paraguas que abarca muchas variaciones en la anatomía sexual. Truffer que no existe información, pero se estima que uno o dos de cada 2,000 bebés son intersexuales. [Otras fuentes dicen que uno de cada 150]

En los países desarrollados, la mayoría serán sometidxs a cirugía, dijo durante una conferencia internacional sobre la mutilación genital femenina (MGF).

La cirugía puede causar dolor durante toda la vida, cicatrices, pérdida de sensibilidad sexual y complicaciones en la salud. Truffer sabe de una persona intersexual que tuvo que ir a diálisis después de un procedimiento fallido.

Truffer, que ahora habla a doctores y a hospitales, dijo que a lxs niñxs intersexuales se les debería de dar apoyo, hasta que sean lo suficientemente mayores como para poder decidir si quieren someterse o no a una cirugía.

DESOLACIÓN

Después de que Truffer nació, los doctores la abrieron para intentar encontrar una vagina. Al no poder encontrarla, abrieron su abdomen y encontraron testículos, los cuales extirparon.

Cuando cumplió siete años, fue sometida a más cirugía para hacer que sus genitales externos se vieran más como los de una niña, dejándola con cicatrices y dolor. A los 12 años, estaba tomando hormonas femeninas, del mismo tipo que usan las mujeres menopáusicas, lo que hizo que a los 30 años sufriera osteoporosis.

“Si no fuera por la psicoterapia, probablemente ya no estaría aquí”, dijo.

Truffer, ahora de 51 años, no conoció a nadie como ella hasta que tenía 35 años, dijo que existe un alto porcentaje de personas intersexuales que cometen suicidio debido a las cirugías y a la vergüenza.

“Me dijeron a mí y a mis padres que no debería hablar con nadie acerca de esto. Había mucha vergüenza y secretos en la familia. Siempre me ocultaba para hacerme a mí misma lo más invisible posible.”

“Así pase 40 años. Entonces, hace 10 años, comencé en el activismo, porque no quería que lxs futurxs niñxs intersexuales, sufrieran igual que yo”.

Durante la conferencia para prohibir la mutilación genital femenina, dijo que existen paralelos entre la Mutilación Genital Intersexual (MGI) y la Mutilación Genital Femenina (MGF), una práctica que incluye la mutilación parcial o total de los genitales externos femeninos, y que prevalece en por lo menos 30 países.

Ambas prácticas pueden causar severos problemas físicos y psicológicos, se hacen sin consentimiento y son una grave violación de los derechos humanos, dijo.

Añadió que la reducción de clítoris es un procedimiento común que se realiza en bebés intersexuales, y que, hasta la década de 1990, a menudo amputaban todo el clítoris.

Pero mientras muchos países han prohibido la MGF, ningún país ha prohibido la cirugía en bebés y niñxs intersexuales.

Sin embargo, varios organismos de tratados de la ONU, incluyendo al Comité sobre los Derechos del Niño, han criticado la MGI diciendo que es una práctica dañina, dijo Truffer.

Ella cree que los doctores de hoy, habrían tratado de convertirla en un niño. Debido a la cirugía y hormonas, no puede decir si se hubiera sentido más como un niño o como una niña, si es que le hubieran dado la opción.

“Es una pregunta que no puedo responder. Parte del trauma es que está la pregunta de ‘¿Qué hubiera sucedido si…?’ Es algo que siempre te atormenta”.

(Editado por Ros Russell; Favor de dar el crédito a la Fundación Thomson Reuters, el brazo caritativo de Thomson Reuters, que cubre noticias humanitarias, derechos de las mujeres, tráfico, corrupción y cambio climático. Visita news.trust.org para ver más historias).

Video: Creciendo Intersexual en Kenia (con transcripción y traducción)

Video: Creciendo Intersexual en Kenia (con transcripción y traducción)

**Transcripción y traducción del video “Growing up intersex in Kenya”: Laura Inter

Creciendo Intersexual en Kenia

“Estaba muy confundido, porque no encajaba para ser una chica, y tampoco encajaba para ser un chico, así que me preguntaba a mí mismo ¿Quién soy?”

Ryan era un adolescente cuando se dio cuenta que le habían asignado el sexo equivocado al nacer. Su madre lo trataba como niña y le puso el nombre de Ruth.

“Mi mamá me veía como niña, me llevaba al salón de belleza, me compraba bonitos vestidos, pero eso no podía hacer que me sintiera como una dama, porque dentro de mí no lo era. Nací y me pusieron un nombre de niña, y me educaron como niña, hasta que descubrieron que tenía genitales ambiguos”

Los genitales ambiguos poseen características que no son claramente masculinas o femeninas. Es una variación intersexual que se da en una de cada 2,000 personas.

Las personas intersex nacen con caracteres sexuales (como los genitales, las gónadas y los patrones cromosómicos) que no se corresponden con las típicas nociones binarias sobre los cuerpos masculinos o femeninos. Fuente ONU.

“Tengo mi tarjeta de identificación con mi nombre femenino, el cual es Ruth Wangui, y cuando cuándo tengo que mostrar o dar mi identificación en algún lado, me pueden decir que no soy la persona que aparece en mi identificación. Así que he sido acusado de hacerme pasar por otra persona, de tratar de aparentar ser Ruth.”

Ryan fue criado en una comunidad rural de Kenia. Muchos de sus vecinos creen que su condición significa que fue maldecido.

“Por supuesto que no me siento seguro en este lugar, incluso si este es el lugar al que puedo llamar hogar. Este es el lugar donde un grupo de jóvenes, me llevaron allá a los arbustos y me quitaron toda la ropa, este es el lugar donde un grupo de jóvenes trató de matarme.”

Ahora, un miembro del parlamento de Kenia, ha presentado un proyecto de ley para proteger y ampliar los derechos de las personas intersexuales.

“Esto no se trata de personas que quieren transformar sus cuerpos de masculino a femenino. Estas son personas que así nacieron.” Isaac Mwaura, miembro del parlamento de Kenia

“Queremos proporcionarles información, que sepan que no nos sentimos bien cuando somos estigmatizados, así que ese es el motivo por el que decidí salir a la luz y hablar. Olvida lo que está ahí, entre sus piernas… ¡son seres humanos!”

Documento: Derechos humanos de las Personas Intersex en Chile, Informe anual sobre derechos humanos en Chile 2016

Documento: Derechos humanos de las Personas Intersex en Chile, Informe anual sobre derechos humanos en Chile 2016

“Nacimos así, estamos acá, no somos nada extraño […] somos personas; diferentes, pero somos” “Ale”, 2015

Derechos humanos intersex Chile.jpg

Informe anual sobre derechos humanos en Chile 2016

Capítulo redactado por Camilo Godoy

Síntesis:

La  situación  de  las  personas  intersex,  especialmente  de  niños,  niñas  y  adolescentes  (en  adelante,  NNA),  es  de  extrema  invisibilidad,  sin  embargo, ha ido cambiando lenta, aunque progresivamente gracias al activismo intersex internacional. Una de las principales denuncias de estas personas dice relación con la cirugía genital o mutilación genital intersex  –como  la  han  denominado–,  que  se  practica  por  lo  general desde los primeros meses de vida sin el consentimiento informado de los afectados. Por su parte, la mayoría de la comunidad médica ha señalado durante décadas que dicho procedimiento se lleva a cabo con el propósito de “normalizar” o “reparar” lo que denominan “trastornos o desordenes del desarrollo sexual”.

Considerando que en las últimas décadas este tema ha sido manejado casi exclusivamente por el mundo biomédico, este capítulo pretende dar  cuenta  de  algunos  de  los  aspectos  más  importantes  y  urgentes a considerar en pos de la promoción y protección de los derechos humanos de las personas intersex.

PALABRAS CLAVES: intersexualidad, diversidad corporal, características sexuales, mutilación genital, salud, derecho internacional derechos humanos, políticas públicas Chile

Ver PDF Derechos humanos de las Personas Intersex en Chile

No necesitas ser nadie más, solo sé tú mismx: Una canción y reflexión dedicada a las personas intersexuales. Por Laura Inter

No necesitas ser nadie más, solo sé tú mismx: Una canción y reflexión dedicada a las personas intersexuales

Por Laura Inter

Comparto esta canción porque creo que muchas personas intersexuales se identificarán, al igual que yo lo hice, con muchas cosas que dice. Primero les comparto la canción y la traducción que hice de la letra, y más adelante una reflexión sobre la misma, espero les guste tanto como a mí:

TRADUCCIÓN AL ESPAÑOL

“No quiero ser” – Gavin DeGraw

No necesito ser otra cosa
Que el hijo de un guardia de prisión
No necesito ser otra cosa
Que el hijo de un especialista
No tengo que ser nadie más
Que el nacimiento de dos almas en una
Parte de saber hacia dónde me dirijo, es saber de dónde vengo

No quiero ser
Cualquier cosa aparte de lo que he estado tratando de ser últimamente
Todo lo que tengo que hacer es pensar en mí y tener paz mental
Estoy cansado de buscar en habitaciones
Preguntándome qué tengo que hacer
O quién se supone que debo ser

No quiero ser nadie más que yo
Estoy rodeado de mentirosos por todas partes
Estoy rodeado de impostores por todas partes
Estoy rodeado de crisis de identidad por todas partes
¿Soy el único que se da cuenta?
No puedo ser el único que lo haya descubierto

No quiero ser
Cualquier cosa aparte de lo que he estado tratando de ser últimamente
Todo lo que tengo que hacer es pensar en mí y tener paz mental
Estoy cansado de buscar en habitaciones
Preguntándome qué tengo que hacer
O quién se supone que debo ser

No quiero ser nada más que yo
¿Puedo tener la atención de todos, por favor?
Si no eres de esta u otra manera, vas a tener que irte
Vengo de la montaña
La corteza de la creación
Todo mi entorno está hecho desde arcilla hasta piedra
Y ahora le digo a todo el mundo

No quiero ser
Cualquier cosa aparte de lo que he estado tratando de ser últimamente
Todo lo que tengo que hacer es pensar en mí y tener paz mental
Estoy cansado de buscar en habitaciones
Preguntándome qué tengo que hacer
O quién se supone que debo ser
No quiero ser nada más que yo
No quiero ser No quiero ser No quiero ser

 ***

REFLEXIÓN

Es prácticamente un hecho que el autor no pensó en nosotrxs, las personas intersexuales, para componerla pero, de cualquier manera, desde hace años ha sido de mis canciones favoritas por su letra y como la vínculo con mi experiencia personal como persona intersexual.

“No tengo que ser nadie más”

Como personas intersexuales, desde que nacemos, pareciera que todo mundo quiere obligarnos a “encajar” en la sociedad, en muchos casos se nos obliga tanto física como psicológicamente a adaptarnos a las expectativas binarias que otros tienen de nuestros cuerpos, la institución médica nos somete a través de brutales cirugías genitales o tratamientos en la infancia, sin nuestro consentimiento informado, todo tendiente a modificar nuestro cuerpo, a que seamos alguien que no somos. Se nos somete también a través de “tratamientos” psicológicos para que nos adaptemos al género asignado, sin saber si en realidad queremos pertenecer a ese género. Muchas veces nuestra familia, amigos(as), pareja, nos orientan a ser alguien que está en sus mentes, no en las nuestras.

“Que el nacimiento de dos almas en una”

La segunda línea dice “dos almas en una”, sabemos que la intersexualidad es un espectro y que no solo incluye a personas que presentan características sexuales físicas típicamente masculinas y femeninas al mismo tiempo. Pero esta frase me recordó algo muy bello que leí sobre como percibían los Nativos Americanos a las personas intersexuales, nos llamaban “dos espíritus”:

Para los indios navajos, la intersexualidad constituye una anomalía, pero esta provoca admiración y respeto. Se considera que el intersexuado ha sido bendecido divinamente y que transmite esa bendición a los demás. Llegan a ser reverenciados.”

“Parte de saber hacia dónde me dirijo, es saber de dónde vengo”

Para entender el presente tenemos que conocer el pasado, y así podremos sentar conscientemente las bases de nuestro futuro.

Para muchas personas intersexuales es complicado conocer nuestro pasado, generalmente es algo que descubrimos por nosotrxs mismxs, muchas veces nadie nos habla de nuestra variación intersexual, ni de los diagnósticos que nos hicieron de pequeñxs, muchas veces no sabemos con certeza si nos hicieron procedimientos quirúrgicos u hormonales para modificar nuestra apariencia, ni en que consistieron estos.

Hana Aoi, persona intersexual mexicana, expresa esto con hermosas palabras en su texto “Historia rota”:

“Es como un abismo sideral, un inmenso vacío en cuya oscuridad y silencio es imposible penetrar. No se ve nada. No se oye nada. Fragmentos de una historia que nunca será posible ya conocer.”

¿Cómo podemos comenzar a sanar si no sabemos quiénes somos realmente? ¿Si en el lenguaje con el que contábamos no existían siquiera palabras para poder describir lo que nos sucedía? Como lo expresa Catherine Graffam en su texto: “El lenguaje es vital”.

En muchas ocasiones, como personas intersexuales, comenzamos a sanar después de que nosotrxs mismxs indagamos en nuestro pasado y nos vamos descubriendo poco a poco, encontrando un lenguaje con el que podamos finalmente hablar de lo que nos sucede.

“No quiero ser
Cualquier cosa aparte de lo que he estado tratando de ser últimamente
Todo lo que tengo que hacer es pensar en mí y tener paz mental
Estoy cansado de buscar en habitaciones
Preguntándome qué tengo que hacer
O quién se supone que debo ser”

Después de toda la presión que sufrimos de parte de los médicos, familia, amigos(as), parejas, y en general de todo nuestro entorno, terminamos en un principio queriendo simplemente encajar en las expectativas ajenas, pero nos damos cuenta que eso nunca será posible, como lo expresa Gina Wilson, persona intersexual:

“Las personas intersexuales son sometidas a todos los tipos de discriminación a las que están sometidas el resto de la comunidad LGBT, a todo tipo de cosas espantosas, que obviamente hacen que siempre te preguntes que es lo que está mal contigo, o te dejan pensando que de alguna manera nunca serás lo suficientemente bueno, que nunca tendrás siquiera la posibilidad de ser lo suficientemente bueno, porque existe algo acerca de ti, algo físicamente acerca de ti, algo con lo que naciste, algo que no puedes cambiar y que no importa cuánto te esfuerces, no importa cuánto te esfuerces en encajar en las expectativas de género, no importa cuánto te esfuerces en ser heterosexual y en encajar en el mundo, simplemente no podrás hacerlo, y las personas se encargarán de hacerte saber que no eres capaz de hacerlo en cada paso que des.

Es una experiencia común para muchas personas intersexuales, que después de toda esta presión social a la que somos sometidxs, acabemos confundidxs acerca de lo que tenemos que hacer para vivir tranquilos o quién se supone que debemos ser. Intentamos encajar porque nos la pasamos pensando solo en lo que los demás esperan de nosotrxs, en lo que los médicos esperan, en lo que nuestra familia espera, en lo que nuestros(as) amigos(as) esperan, en lo que nuestra pareja espera de nosotrxs…. Pero muchas veces no pensamos en nosotrxs mismxs, en lo que realmente queremos para nosotrxs, en quien realmente somos y quien queremos realmente llegar a ser, después de todo vamos a convivir con nosotrxs mismxs todo el tiempo por el resto de nuestra vida, y que mejor que estar con alguien de quien nos sintamos orgullosxs, y en consecuencia tener paz mental.

Muchas veces al voltear la atención hacia nosotrxs mismxs nos damos cuenta que nuestros cuerpos no son el problema, el problema es la ignorancia social generalizada que existe hacia todo lo que se sale de las estrictas normas ilusorias de género. Con el tiempo, entendemos que no tiene nada de malo querernos como somos, que somos hermosxs y dignxs de ser amadxs, y que tenemos que empezar por amarnos a nosotrxs mismxs, así, tal como somos. No tenemos la necesidad de ir por la vida intentando ser algo, simplemente somos, existimos, hay que dejar ir las expectativas ajenas y simplemente ser.

“No quiero ser nadie más que yo
Estoy rodeado de mentirosos por todas partes
Estoy rodeado de impostores por todas partes
Estoy rodeado de crisis de identidad por todas partes
¿Soy el único que se da cuenta?”

Así que simplemente seamos nosotrxs mismxs,

Muchas veces pudimos habernos sentido rodeados de mentirosos, puede ser que nos hayan mentido los médicos para poder someternos a sus “tratamientos” “normalizadores” como bien lo expresa Pidgeon Pagonis en su texto: “9 Mentiras dañinas que los doctores me dijeron mientras crecía siendo intersexual”; o incluso puede ser que nuestros padres nos hayan mentido para “protegernos”, por recomendación de los médicos y/o por ignorancia, como lo expresan muchas personas intersexuales en sus historias:

“Incluso mis padres me mintieron porque los expertos les aseguraron que la verdad me podría traumatizar. Y tenían razón; lo hizo. El ver como otros evitaban hablar acerca de mi “defecto” de nacimiento para evitar su horror, fue lo que me traumatizó. Así que creía la verdad que escuchaba en sus mentiras; creía que mi cuerpo era terrible y algo que debía ocultar.” Eden Atwood

“Me quitaron mis pequeños testículos internos cuando yo tenía ocho años, diciéndome que era una “niñita especial” y que “mis ovarios serían cancerosos cuando fuera adolescente”. Mintieron. La probabilidad de que tuviera cáncer era menos que la de tener cáncer de pecho. Me obligaron a tomar hormonas femeninas desde los 12 años.” Sarah Graham

“De hecho me sentía enojado y ultrajado, porque ellos, obviamente, me mintieron. Había hecho preguntas, todos esos años, acerca de mi cuerpo y mi variación intersexual, y me sentía muy enojado de que me hubieran mentido por todos esos años.” Tony Briffa

Al final estas situaciones, todas estas mentiras y secretos, acaban haciendo que tengamos problemas para confiar en los demás, porque, si ni siquiera podemos confiar ni en nuestros propios padres ¿en quién podríamos confiar? Muchas veces el mundo puede aparecer ante nosotrxs como uno lleno de mentirosos(as) e impostores(as), y solo el conocer la verdad sobre nosotrxs mismxs y enfrentarnos a nuestros padres para conocer las razones por las que nos mintieron puede llegar a ser sanador, muchas veces descubriremos que simplemente tenían miedo, carecían de información y simplemente se dejaron llevar por las recomendaciones médicas creyendo que era lo mejor. Algunas veces costará años recuperar la confianza nuevamente, pero hablar, por lo menos, ya es un comienzo.

“No quiero ser nada más que yo
¿Puedo tener la atención de todos, por favor?
Si no eres de esta u otra manera, vas a tener que irte
Vengo de la montaña
La corteza de la creación
Todo mi entorno está hecho desde arcilla hasta piedra
Y ahora le digo a todo el mundo”

Tenemos que llegar a ser nosotrxs mismxs, nunca es algo positivo dejarse llevar por las expectativas que tienen otros de nosotrxs o de nuestros cuerpos, porque acabaremos deprimidos y agotados de vivir una vida intentando dar gusto a los demás, y además esto es algo que nunca lograremos, es imposible, siempre habrá alguien descontento y que nos critique (y esto va para todxs, sea que tengan una corporalidad intersexual o no).

Tu cuerpo intersexual viene de la naturaleza, de la tierra, por eso es natural, no hay nada malo con el, quiérelo, cuídalo, amalo tal cual es. Tú y tu cuerpo han pasado por mucho juntos, han pasado por experiencias desgarradoras, lo sé, pero sigue en pie, sigue respirando, tu cuerpo es fuerte, es hermoso, es tu único medio para interactuar con el mundo, y el mundo no solo ofrece desdicha y sufrimiento, lo sabes, porque tu cuerpo no solo te ha llevado a recorrer senderos espinosos, también te ha llevado a tener experiencias placenteras, a experimentar la belleza, el amor, la comida, el tacto, la frescura del aire… no necesitas ser nadie más, solo sé tú mismx.